A INVEJA TEM PERNAS CURTAS


Nasrudin foi requisitado para levar um grupo de viajantes em uma peregrinação até um país distante.

– Nasrudin, soubemos que você fala a língua deles porque viveu um bom tempo lá. É verdade? – o ancião do grupo perguntou.

– Certo! Posso acompanhá-los nessa viagem e espero ser útil – respondeu Nasrudin.

A caravana de camelos seguia pelo deserto, sendo conduzida por um guia que era um nativo do país para onde eles estavam indo. Um homem, que procurava demonstrar conhecimento da língua do país para onde se dirigiam, caminhava ao lado do guia e não parava de falar. O guia escutava com atenção, balançando sempre a cabeça em sinal de assentimento.

Um outro homem que viajava sempre junto a Nasrudin na esperança de aprender alguma coisa com o Mullah, uma certa manhã comentou:

– Nasrudin, eu morro de inveja quando vejo o meu amigo conversar horas a fio com o guia da caravana. Como é bom ter a habilidade de falar uma língua, que para mim é completamente estranha. Espero que da próxima vez que fizer essa mesma pereginação, eu também possa ter o prazer de conversar com o guia na fluidez do meu amigo.

– Cuidado quando tens inveja das habilidades dos outros – comentou Nasrudin.

Passado pouco tempo, o guia da caravana veio até Nasrudin, que estava na companhia do amigo invejoso e disse:

– Nasrudin, há vários dias que uma das pessoas do seu grupo caminha ao meu lado gastando um precioso tempo conversando comigo. Gostaria de perguntar-lhe uma coisa. Que língua ele fala? Não consegui até agora entender uma só palavra do que ele diz.

Nasrudin olhou para o invejoso companheiro de viagem e perguntou:

– Você, que é amigo dele, sabe que lingua é essa que ele fala com o guia?


 

 

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